ARTIGOS

BRASIL SINDICATÃO: A REPÚBLICA DOS PELEGOS

MIRANDA SÁ, jornalista (mirandasa@uol.com.br)

Está em várias cabeças, como numa rede telepática, o repúdio às falsas representações sindicais que contrariam a concepção original dos sindicatos de trabalhadores. Ou seja, já não é a ocupação profissional que necessita de um sindicato representativo, mas são espertalhões ou grupos de aproveitadores que criam sindicatos fictícios para obter vantagens pecuniárias ou políticas.

Do noticiário jornalístico, recolhemos a informação de que este ano é registrado um sindicato por dia, não passando de pequenas e médias empresas desempenhando falsamente o papel de defensora de determinada categoria profissional.

Essa fragmentação – atomização, é mais bem aplicado – da delegação corporativa enfraqueceu o movimento sindical e, o que é pior, levou à degenerescência o sindicalismo como forma classista de organização.

Não é preciso dizer que isto é fruto de um desvio político que foi combatido pelos sindicalistas autênticos durante muitos anos. É a intervenção fascista do Governo acarretando dependência política e financeira dos sindicatos através de um imposto sindical, oriundo da contribuição dos trabalhadores com carteira profissional assinada de um dia de salário.

Esse imposto gera a fortuna de mais de R$ 2 bilhões anuais que distribuída entre as entidades sindicais. O Brasil tem atualmente 9.046 sindicatos das mais diversas categorias e até de categorias inexistentes, sem prestar qualquer assistência aos contribuintes, exceto a simulação de conquistar melhores salários e condições de trabalho.

Dá tristeza reconhecer que a liberdade sindical garantida pela Constituição como direito dos trabalhadores, tenha extinguido o ideal e a luta de milhares de heróis anônimos, que desde o século 19 até a ascensão de Sua Majestade Metalúrgica, lutaram contra o egoísmo e a ganância patronal de capitalistas selvagens.

Se os anarco-sindicalistas, comunistas e socialistas do século passado voltassem à vida, abominariam as estruturas fantasmagóricas das caricatas instituições atuais, que só aparecem nas chamadas datas-base ou em greves político-partidárias.

Os ecos do passado ressoariam contestando a corporação fascista de empregados e empresários, e odiariam a enganosa existência de associações sindicais de servidores do estado e do governo, e até de aposentados!

A astúcia de alguns, que alimentam esta situação, investe contra a sociedade. Por que fingem reivindicar ilusoriamente soldados e policiais, intuindo greves contra o povo que lhes paga para defendê-lo. O que ocorre também com médicos, pessoal da Saúde em geral, juízes e promotores, condutores de transportes coletivos, enfim, toda a gama de carreiras da administração pública.

Defendemos a tese de que todo o trabalho deve ser remunerado de acordo com o seu valor social. Se o poder político e econômico nega o pagamento justo dos salários, vencimentos e subsídios, deve ser renegado por todos. Se a busca da justiça social pelo proletariado, que se faça através da ação direta contra os detentores do poder.

Infelizmente, o pensamento socialista é deturpado no Brasil Sindicatão – a República dos Pelegos. Isto faz o sindicalismo transformar-se em empresa de rendimentos, em nada favorecendo os sindicalizados e muito menos a população. Acontece, porém, que oferece imensas vantagens em dinheiro e benefícios políticos aos falsos líderes.

Minha intuição kantiana (anschaulich)  me encaminha a desejar que este festim licencioso com as verbas públicas não deve ter um fim urgente. Ou cairemos num regime burocrático-policial como aqueles que foram banidos com a morte de Hitler, Mussolini e Stálin…

RESPONDAM OS LULO-PETISTAS: O PNDH3 ERA BOM OU RUIM?

MIRANDA SÁ, jornalista (mirandasa@uol.com.br)

Eu só quero entender: o PNDH3 era a consolidação ideológica do governo de Sua Majestade Metalúrgica ou não passou de um balão de ensaio do apagado pelego Paulo Vannuschi, ministro dos Direitos Humanos?

No lançamento do PNDH3, Vannuschi se travestiu de ideólogo, com a sisudez de candidato à Academia Brasileira de Letras. Arrotou vanguardismo “de esquerda” e se arvorou de pai do Brasil Sindicatão, e agora, vendo de crista baixa o seu projeto remexido e descaracterizado diz que as mudanças foram positivas…

É certo que às vésperas de uma Copa do Mundo o povão não quer saber de outra coisa senão do futebol e do patriotismo esportivo, mas os letrados deste país devem estar pensando sobre a escancarada expressão de “multi-ideologia”, tema de discussão nos botequins parisienses.

O que diabo é “multi-ideologia”? Uma nova jogada de marketing de Obama ou a “governabilidade à européia” dos países que adotam o parlamentarismo? Parece que essas duas versões e outras mais, porque o jornal espanhol El Pais chamou Lula de “multi-ideólogo” e isso embaralha tudo.

Se os conservadores britânicos que ganharam a eleição por uma meia dúzia de três ou quatro votos fazem alianças com os liberais-democratas para assumir o poder em lugar dos trabalhistas, praticam a “multi-ideologia”, Lula faz o contrário: incentiva o mensalão, alia-se aos 300 picaretas, dá força a Renan Calheiros e José Sarney para garantir a “governabilidade”.

Não pode ser considerado “multi-ideologia”, por exemplo, o lance oportunístico do Presidente, cedendo às pressões de vários setores da sociedade, entre eles as duas poderosas frações da Igreja Católica e das Forças Armadas. Lula se dobrou por pura malandragem.

Mesmo assim condescendendo em transfigurar o PNDH3, não agradou, pois atendeu as queixas de uns e desprezou as reclamações de outros. Tirou a legalização do aborto, considerando-o uma “questão de saúde”; agradou religiosos e desagradou feministas.

Anuiu aos reclamos dos militares no caso da anistia aos torturadores, mas descontentou até a UNE – a mais pelega das entidades do movimento popular; atendeu aos ruralistas, mas recebeu severas críticas de pastorais católicas e do MST.

Afastou as ameaças à liberdade de imprensa, acabando com as propostas de punição de rádios e TVs por desrespeito aos direitos humanos e riscou o texto referente à disciplinamento dos jornalistas, o que deixou os stalinistas e afins fulos de raiva.

Tendo, como exemplo o PNDH – de curto período de vida – vê-se que – não é fácil assumir uma política “multi-ideológica” no Brasil, e sim a sua caricatura, graças ao jogo de cintura de Lula. Este conquistou uma imensa popularidade aconchegando sob as asas dos privilégios, banqueiros e estudantes ativistas, católicos e defensores do aborto; conservadores e gays; preservacionistas do meio ambiente e desmatadores; corruptos de todos os naipes e moralistas tipo Suplicy e Paulo Paim.

Dessa maneira, distribuindo cargos e verbas públicas a personalidades, partidos, meios de comunicação, sindicatos e organizações não-governamentais este “multi-ideologismo” à brasileira vai levando, porque a terminologia política que vale para as democracias européias é subvertida no Brasil.

Aqui, a ideologia não tem vez. Perde para as transigências circunstanciais e as acomodações diante dos fatos. Em linguagem corriqueira: a multi-ideologia do PT-governo é oportunismo do bom e do melhor.

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