Artigo temático do fim de semana

Paraguai não é  das ditaduras que o PT-governo gosta

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

 

O Paraguai não é das ditaduras que o PT-governo gosta. É a tese que defendo para contestar a diplomacia brasileira submetida ao lulo-petismo através de um ‘comissário ideológico’ adido ao Ministério.

A presença estranha do ‘companheiro’ Marco Aurélio Garcia no Itamaraty está comprovada ao atuar como porta-voz do PT-governo na política exterior, condenando o impeachment de Fernando Lugo e admitindo a Venezuela como membro pleno no MERCOSUL.

Não vou abonar a constitucionalidade do impeachment de Lugo pelo Congresso. Deixo isto a cargo da Suprema Corte do Paraguai, o apoio da majoritária Igreja Católica e a influência das Forças Armadas. Tudo sob o aplauso de 400 mil brasilguaios.

O Itamaraty do “B” pôs-se contra a rapidez com que o impeachment tramitou; mas, pelo valioso testemunho do presidente uruguaio José Alberto Mujica Cordano, foi menos veloz e mais legal do que a resolução de Dilma Rousseff e Cristina Kirchner, a portas fechadas, para admitir a Venezuela.

E recorro ao lúcido jornalista Carlos Chagas e sua antológica pergunta: “Seria o impeachment de Lugo mais grave do que o desrespeito de Hugo Chávez aos resultados do referendo venezuelano de dezembro de 2007?”

Cristina K teve motivos pessoais e políticos para defender o Coronel Chávez, pois recebeu dele contribuição em dólares para sua eleição; e por que a Venezuela comprou US$ 5,6 bilhões em títulos da dívida argentina. Dilma, porém, que pressionou o Uruguai para entrada de Chávez, nada ganhou. Agiu só para satisfazer Zé Dirceu e Lula da Silva, amigos e parceiros do Coronel.

Nem o Brasil levou vantagem alguma. Penso que é obrigação da nossa diplomacia assessorar a Presidente na política internacional, e deveria ter feito impedindo a intervenção do PT-governo, em nome do Brasil, violentando o princípio de não-intervenção que nós tradicionalmente defendemos.

Lembro que o Brasil conviveu com o ditador Alfredo Stroessner e após a sua destituição o acolheu dando-lhe refúgio. O mesmo fez com o presidente Raúl Cubas que renunciou e se exilou aqui nos tempos de Fernando Henrique.

Também não deixa de ser esquisita a política de dois pesos e duas medidas. O PT-governo passou os oito anos do Governo-Lula bajulando ditadores nos quatro cantos do mundo. Tiranos asiáticos e sobas africanos.

Na América Latina temos robustos exemplos de convivência com países cujos governos subverteram a ordem jurídica. É fácil exemplificar a Venezuela, com Chávez desrespeitando um referendo e intervindo no Poder Legislativo. Recordo a imposição de uma nova Constituição na Bolívia por Evo Morales, cercado por tropas num quartel militar…

Não é de esquecer, também, o golpe de Rafael Correa, no início de seu mandato, dissolvendo o Parlamento recém-eleito, onde estavaem minoria. Seráque nos anais da Casa de Rio Branco não há registros dessas situações?

São esses transgressores da Democracia que falam – em se referindo ao Paraguai – em ‘neogolpismo’, um ente fabuloso, amedrontador para os ingênuos, e ótimo para justificar ações pára – fascistas de Chávez, Correa, Cristina, Morales e do lulo-petismo.

Esse fictício ‘neogolpismo’ substitui o fantástico imperialismo ianque como pretexto para dominar uma Nação, perseguindo as oposições que ameaçam os “salvadores da Pátria” que conquistaram o poder por estelionatos eleitorais.

É evidente que o PT-governo adotou a fantasia do neogolpismo usurpando a opinião nacional, nunca ouvida politicamente. E atua por um Itamaraty do “B” que é a negação do que o Barão do Rio Branco deixou como exemplo.

 

 

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3 Respostas para “Artigo temático do fim de semana

  1. José Antonio Moreira Baía

    O fundamento do MERCOSUL não pode servir para as regras básica da democracia ser violada e banalizada. O Governo democrático brasileiro não pode ser omisso em um ato tão agressivo ao estado de direito.

  2. Outro grande artigo Miranda. Vergonhoso o que fizeram com a Casa de Rio Branco, como tudo em que puseram a mão.

  3. O Mercosul começou torto… e está terminando mais torto ainda. Apenas mais um palco político, agora bolivariano, seja lá o que for isso.

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