Artigo temático sobre o ‘Mensalão’

Assistiremos, enfim, o julgamento do Mensalão

MIRANDA SÁ ( E-mail: mirandasa@uol.com.br )

 

Eu não pensaria em escrever sobre o julgamento do Mensalão não fosse o cinismo do secretário-geral do PT, André Vargas, de vir a público dizer que a agenda do Supremo Tribunal Federal foi precipitada e deveria ser adiada. Esse pedido de adiamento já havia sido feito por Lula da Silva – em forma de chantagem – ao ministro Gilmar Mendes, e, possivelmente, a outros membros do Supremo.

É justamente a alegação de extemporaneidade e sugestão de adiamento para o processo que deverá ser julgado a partir de 1º de agosto, a razão de me indignar e levar à minha meia dúzia de três ou quatro leitores este texto.

Fazem sete anos que explodiu o escândalo, o maior entre tantos outros nos  dois mandatos do ex-presidente Lula! Sete anos que soubemos de parlamentares vendendo-se para apoiar o governo do PT, pagos pela Casa Civil da Presidência da República.

Sete anos que uma Nação assustou-se, estarrecida com a sem-cerimônia que o ministro da Casa Civil, José Dirceu, avançava no patrimônio público, e foi apontado pelo procurador-geral da República como “chefe de uma organização criminosa”.

Este espaço de tempo nos leva ao episódio bíblico que inspirou o grande Luiz de Camões no soneto conhecidíssimo pelos que teem um primário bem feito, “Sete anos de pastor Jacó servia”.

Nos seus versos, Camões descreve a longa espera de um jovem apaixonado, Jacó, para casar-se com Raquel, filha de Labão; e acaba recebendo a irmã da noiva, Lia… A longa espera para o julgamento do “Mensalão”, cujo nome é em si mesmo um agravante, aludindo à regularidade da remuneração aos deputados do PT e da chamada “base aliada”.

Sete anos foram suficientes para o chefe da quadrilha e seu bando criminoso ( que são capazes de tudo) se movimentarem preparando a defesa… Mas preferiram levar o processo à prescrição, contando com a ajuda de falsos agentes da lei, juízes e advogados.

Agora, com vistas à parte advocatícia, o presidente da Alta Corte, ministro Ayres Britto, já acionou a Defensoria Pública, que porá à disposição dos réus quantos advogados forem necessários para o acompanhamento do processo.

Quanto aos ‘juízes amigos’ esperamos que tenham uma atitude digna. O maior exemplo é o do ex-advogado-geral da União no governo Lula, advogado do PT em duas campanhas presidenciais, e ex-assessor de José Dirceu, José Dias Toffoli.

Hoje, no STF, Toffoli foi citado por Lula na conversa que teve com Gilmar Mendes, dizendo que “eu disse a Toffoli que ele tem de participar do julgamento”. Se ele vier a tomar parte no julgamento, com seu currículo, cometerá uma vergonhosa traição à ética e à majestade do Poder Legislativo, desmoralizando o STF.

Em outros casos pontuais, temos os ministros Joaquim Barbosa, relator, e Ricardo Lewandowski, revisor do processo. Barbosa, só concluiu o seu texto em dezembro passado, e Lewandowski, vem engavetando o material por vários meses.

Acontece, também, estarmos às vésperas da aposentadoria do ministro Cezar Peluso, que se afastará compulsoriamente em 3 de setembro. Felizmente Peluso tem a prerrogativa legal para deixar seu voto declarado.

É bom lembrarmos que o então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, denunciou ao STF 40 envolvidos na “sofisticada organização criminosa” em março de 2006, incluindo entre eles o ministro da Casa Civil, José Dirceu.

Recordemos, igualmente, que em agosto de 2007 o Supremo aceitou, por unanimidade, a denúncia. Assim, Antonio Fernando de Souza e o seu substituto, procurador-geral Roberto Gurgel, pediram a condenação de 38 réus e a absolvição dos 2 restantes em julho do ano passado, por falta de provas.

Excluiu-se um líder petista, o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, (Silvinho do Land Rover), que se valeu da “suspensão condicional do processo” para sair da ação em troca da prestação de serviços comunitários; e o ex-deputado paranaense José Janene, que veio a falecer.

Ficaram 38 réus para serem julgados a partir de 1º de agosto e, se as coisas correrem dentro dos conformes terão suas sentenças definidas em setembro.

Os sete anos representam um prazo suficiente para o Supremo fazer uma justiça boa e perfeita, para que os brasileiros sintam que o tempo de espera valeu com o triunfo do amadurecimento e da isenção dos magistrados que o compõem. Principalmente se assistirmos o fim da impunidade.

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5 Respostas para “Artigo temático sobre o ‘Mensalão’

  1. Creio ser um, entre os muitos outros leitores teus, então aproveito para agradecer pela pertinência dos posts publicados.

  2. É verdade, mas o mensalão é algo muito maior do que aparenta e o que se chama de mensalão na verdade é uma simples engrenagem de um esquema dominante de cooptação que tomou conta literalmente do Brasil. Trata-se sem qualquer exagero de caso de segurança nacional. O maestro de tudo construiu a Cidade da Musica, pra abrigar a mega diretoria do esquema que na letra do P se chama SOA, multinacional presente em 100% dos municípios dando as cartas e distribuindo os trabalhos e determinando quem vai presidir a nação e que será o vereador de Arroio ou Chui. Determina quem sera o líder de seu esquema no ministério dos S, na liderança dos MP, um domínio de holocausto. Não se abalam que possíveis interferências repreensivas, sabem esperar. É esquem de altíssima periculosidade…

  3. Defina “justiça boa e perfeita”. Pelo seu texto, você parece o juiz e o executor da sentença. Caso se confirme a “retórica” do mensalão, haverá vida pra você no dia seguinte? Aliás, haverá vida para a imprensa, que sempre nutriu esse mesmo desejo seu, com os processos por calúnia, difamação, depois que os inocentes (ou inocentados como já dirá mais adiante) processarem seus difamadores, caso absolvidos?

  4. Emmanuelle Costa

    Uma espera de 7 anos para início do julgamento e ainda dizer q agenda do Supremo Tribunal Federal foi precipitada e’ ser no mínimo “audacioso” no teste de paciência dos Brasileiros q trabalham honestamente.

  5. ‘Justiça boa e perfeita’ é uma expressão maçônica para indicar a verdadeira justiça humana… Obdo. Abs.

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