Artigo temático sobre a CPMI

A Copa Brasileira da falta de vergonha

 MIRANDA SÁ ( E-mail: mirandasa@uol.com.br )

 

Faltando ainda um mês para as festas juninas, o Congresso armou um terreiro para promover uma quadrilha, a dança inglesa introduzida no século XIX nos salões aristocráticos de todo mundo, inclusive no Brasil.

Cá chegando conquistou o povão, que alterou as regras da coreografia, da marcação do animador, trocando as frases para um francês macarrônico, e até modificando a música, agora tocada por sanfona, triângulo e zabumba.

Na República dos Pelegos temos quadrilhas e quadrilhas. Uma quadrilha com a dança obscena das trocas de legendas partidárias, que se misturam na evolução de interesses grupistas e individuais; e outra quadrilha, organização criminosa para assaltar o Erário.

Em Brasília, assistimos agora as duas quadrilhas. A que reverenciou o advogado de defesa, ex-ministro de Lula, Márcio Thomaz Bastos, e a representada pelo ridículo Fernando Collor, pavoneando-se entre os parlamentares insignificantes que compõem a CPMI do Cachoeira.

Nessa extensão do cenário congressual, tivemos uma pausa sob o silêncio ensurdecedor de Carlos Cachoeira – o principal ator do escândalo de corrupção entre a contravenção e alguns políticos nacionais. Faz-se um cenário ideal para realização da Copa Brasileira da Falta de Vergonha.

Disputarão várias modalidades de exercícios. São100 metrosrasos de cinismo; salto de hipocrisia à distância; corrida de fundo da extorsão; formação de bando; e, transgressões por equipe.

Temos vários candidatos disputando o título de campeão do descaramento, além do indigno Collor e do astuto Thomaz Bastos, já citados. O relator e o presidente da CPMI, deputado Odair Cunha e senador Vital do Rego, estão inscritos naturalmente; e o desavergonhado Cândido Vaccarezza apareceu disposto a ganhar.

Collor sempre disputa provas de perversão, e Thomaz Bastos já ostenta títulos de iniqüidades, e compete agora instruindo seu cliente a ficar calado; ganhando assim dos dois lados, na chicana jurídica e pela salvaguarda dos depravados companheiros do lulo-petismo.

Todavia, a presença de Vaccarezza impõe-se sobre Bastos e Collor, além de enfraquecer o mineiro Odair Cunha, escolhido para melar a CPMI pela sabujice a Zé Dirceu, e o paraibano Vital, amofinado pela descoberta de uma funcionária fantasma no seu gabinete.

Cândido Vaccarezza parece-me imbatível. É o mais credenciado ao título, em todos os gêneros do vergonhoso esporte da depravação. Na competição, leva vantagem com o infame ‘torpedo’ ao governador do Rio, Sérgio Cabral, em que escreveu “você é nosso e nós somos teu”.

Vaccarezza segue ganhando pela infâmia de livrar um suspeito das investigações parlamentares e pelo mau uso do idioma. Este handicap da cumplicidade e da ignorância pesa muito na contagem dos pontos, somados ao seu envolvimento na criminosa maquinação para blindar pessoas comprometidas com ações de lesa Pátria.

Se conquistar a taça, ficará devendo essa vitória ao cinegrafista do SBT que, flagrando-o, merece também os nossos aplausos.

 

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