Walt Whitman

QUANDO OUVI AO FINAL DO DIA

 

Quando ouvi ao final do dia que meu nome fora recebido com aplausos no capitólio, mesmo assim não foi uma noite feliz a que se seguiu;
e, antes, quando eu farreava, ou quando meus planos se realizavam, ainda assim eu não me alegrava,
mas no dia em que, me levantei da cama ao amanhecer, em perfeita saúde, refeito, cantando, respirando o hálito maduro do outono,
quando vi a lua cheia empalidecer no oeste e desaparecer na luz da manhã,
quando andei sozinho pela praia e, despido, me banhei, rindo com as águas geladas, e vi o sol nascer,
e quando pensei que meu querido amigo, meu amante, já estava a caminho, aí sim eu era feliz,
aí sim o respirar me pareceu mais doce, e durante todo o dia o alimento me nutriu melhor, e o lindo dia transcorreu perfeito,
e veio o seguinte com igual alegria, e no terceiro, ao anoitecer, chegou meu amigo,
e naquela noite, quando tudo estava quieto, ouvi as águas fluindo lenta e continuamente ao longo da costa,
ouvi o murmúrio suave do líquido e das areias, como se se dirigissem a mim num sussurro, a me felicitar,
pois quem eu mais amava dormia ao meu lado sob o mesmo teto na noite fria,
na quietude do luar de outono sua face se inclinava para mim,
e o braço descansava suavemente sobre meu peito – e naquela noite eu estava feliz.

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