Sylvia Plath

A CHEGADA DA CAIXA DE ABELHAS

 

Encomendei esta caixa de madeira

Clara, exata, quase um fardo para carregar.

Eu diria que é um ataúde de um anão ou

De um bebê quadrado

Não fosse o barulho ensurdecedor que dela escapa.

 

Está trancada, é perigosa.

Tenho de passar a noite com ela e

Não consigo me afastar.

Não tem janelas, não posso ver o que há dentro.

Apenas uma pequena grade e nenhuma saída.

 

Espio pela grade.

Está escuro, escuro.

Enxame de mãos africanas

Mínimas, encolhidas para exportação,

Negro em negro, escalando com fúria.

 

Como deixá-las sair?

É o barulho que mais me apavora,

As sílabas ininteligíveis.

São como uma turba romana,

Pequenas, insignificantes como indivíduos, mas meu deus, juntas!

 

Escuto esse latim furioso.

Não sou um César.

Simplesmente encomendei uma caixa de maníacos.

Podem ser devolvidos.

Podem morrer, não preciso alimentá-los, sou a dona.

 

Me pergunto se têm fome.

Me pergunto se me esqueceriam

Se eu abrisse as trancas e me afastasse e virasse árvore.

Há laburnos, colunatas louras,

Anáguas de cerejas.

 

Poderiam imediatamente ignorar-me.

No meu vestido lunar e véu funerário

Não sou uma fonte de mel.

Por que então recorrer a mim?

Amanhã serei Deus, o generoso – vou libertá-los.

 

A caixa é apenas temporária.

 

(tradução de Ana Cândida Perez e Ana Cristina César )

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