Nota

 Em 1938, Mill…

 

Em 1938, Millôr entrou pela primeira vez em uma revista, “O Cruzeiro”, então como contínuo. Nunca mais largou a imprensa. Foram 65 anos de atividade, nas principais publicações do país. Disse certa vez uma frase perfeita sobre o papel da mídia: “Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”.

Em 2003, quando não comemorava os seus 80 anos (“Tenho o direito de não comemorar
o meu aniversário. Ou comemorar quando eu quiser”), tive a oportunidade de encontrá-lo em seu escritório, em Ipanema. Ouvi-o por mais de duas horas para uma reportagem que foi publicada na revista “CartaCapital”, em 8 de outubro daquele ano.

Entre os inúmeros assuntos que conversamos, ao falar de política Millôr mostrou, na prática, como entendia o papel do jornalista. Não perdoou ninguém. Veja um resumo das suas declarações:

Getúlio Vargas: “Getúlio hoje é visto como um governante progressista. Foi, no mínimo, um filho da puta. Foi o cara que entregou a Olga Benário. Filinto Müller, chefe de polícia dele, torturou  gente. Esse é o lado sentimental. Mas ele fez um grande projeto? Quando fez Volta Redonda, ele trocou aquilo por apoio na guerra, mas achei que ele podia ter tirado muito mais”.

Juscelino Kubitschek: “Como é que se faz uma cidade em cinco anos num Estado democrático? Corrompendo todo mundo, é evidente. Uma corrupção avassaladora. O dinheiro que se gastou lá… Outra coisa: não vejo estrada de ferro no Brasil. Não tem uma estrada de ferro daqui para São Paulo! Trem pra Brasília. Acho ele um atraso. Você acha que a revolução demoraria 15 anos se a capital fosse no Rio de Janeiro?”.

Jânio Quadros: “Jânio, aquele maluco. Não deu nem para ver. Em princípio, eu tinha simpatia pela maluquice dele… Esse eu cheguei a conhecer vagamente, por causa do José Aparecido de Oliveira, que era secretário dele. Ele mandou a peça (“Os Órfãos de Jânio“) para o Jânio, sem eu saber. E ele disse para o Aparecido: ‘Este Millôr é um gênio, e não vamos discutir a obra dele’.”

João Goulart: “Conheci o Jango em boates, com aquela perninha puxando, comendo aquelas mulheres… Medíocre! De repente, ele virou líder da esquerda. Eu escrevi: ‘Foi o único presidente da República que, quando foi deposto, fugiu para a capital’. Pegou a mala e foi pra lá.”.

José Sarney: “Não tendo no cérebro os dois bits mínimos para orientá-lo na concordância entre sujeito e verbo, entre frase e frase, entre idéia e idéia, como exigir dele um programa de governo coerente?”

Fernando Henrique Cardoso: “Fernando Henrique é um idiota. É um idiota. Os caras falam do Lula… O Fernando Henrique é o Sarney em barroco. Ele não diz coisa com coisa.”

Lula: “O Lula é divertido, vamos dizer assim. Logo que ele começou, eu disse um
negócio e não tenho razão de retirar: ‘A ignorância lhe subiu à cabeça’. Ele está pensando que sabe tudo e não sabe nada.”.

 
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