A cidadania exige uma reforma política

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília em abril passado recolheu a opinião dos brasilienses sobre as estruturas sócio-políticas e, em particular, sobre a chamada classe política. Os pesquisados registraram números curiosos como, por exemplo, que lá os bicheiros merecem mais confiança do que os parlamentares; 22,7% acham os bicheiros fidedignos enquanto somente oito por cento confiam nos políticos. No resultado geral, 88,4% não crêem nem mesmo nos políticos que elegeram.
Este desprezo da cidadania pelo Poder Legislativo credita-lhe apenas 19,9% e, não é um negativismo que alcance os outros poderes, pois o Judiciário recebeu a aprovação de 43,4% e o Executivo obteve a confiança de 33%. Outras instituições tiveram bom desempenho e excepcionais quando comparadas com órgãos da política convencional. Os partidos obtiveram apenas 16,5% enquanto as forças armadas ficaram com 58,5%.
Escrevi um artigo na semana passada expressando minha opinião de que se tivéssemos um oficial general bonapartista com liderança nas forças armadas, ou um juiz carreirista respeitado nos meios forenses, bastaria uma expressão da vontade de um deles que o processo democrático seria ameaçado por uma aventura golpista que, sem dúvida, receberia o apoio popular.
Felizmente não há entre os militares um candidato a usurpador; e, permeando a Justiça os pouquíssimos juízes políticos não merecem sequer a confiança dos seus pares. Dessa maneira o carreirismo entre nós ficou circunscrito à pelegagem sindical, o que salva a Democracia, pois o povo repudia o arrivismo dos representantes classistas, carreiristas de uma traição de classe jamais vista.
Enquanto isso, a chamada classe política não se toca. Depois da revelação policial dos mensaleiros, das sanguessugas e agora dos anavalhados, os políticos tinham a obrigação de fazer autocrítica, expurgando do Congresso os corruptos e corruptores, e legislando para evitar mais manifestações criminosas no seu meio.
Em vez de tomar medidas sadias para recuperar a confiança nacional, suas excelências preparam novas armadilhas para enganar o povo, com uma pseudo-reforma política que transforma os partidos em empresas cartoriais financiadas com o dinheiro público para eleger os favoritos dos seus donos.
Depois de assistirmos a compra de apoio parlamentar para o PT-governo nas casas legislativas, seja pelo vil metal ou pelo loteamento dos cargos administrativos, é inadmissível que aceitemos uma “reforma” patrocinada pelos próprios usufrutuários da safadeza que montou a base de apoio a Lula da Silva. Sendo a pior de todos os tempos, a atual legislatura não tem força moral para patrocinar a reforma político-administrativa que o Brasil precisa.
Como pensar numa reforma para valer sem favorecer a renovação de quadros, sem fortalecer a definição ideológica dos partidos e não qualificando o funcionalismo estatal, estimulando-lhe a aptidão, respeitando a competência e premiando sua idoneidade? E sem essas medidas não teremos reforma alguma, pelo contrário, as propostas dos responsáveis dos erros do sistema só irão piorar a conjuntura atual. Uma “reforma” apoiada pelos atuais deputados e senadores não seria reforma, mas a receita de uma pizza com sobremesa de marmelada, como diria Boris Casoy.
Ninguém quer votar na legenda dos partidos sem conhecer, avaliar e escolher os nomes de sua preferência nas listas eleitorais; queremos eleger pessoas dispostas a prestar contas das atividades na vida pública, como representantes eleitos. Não concordamos que parlamentares e executivos troquem de partidos após a eleição, nem dotar-lhes de imunidades e privilégios.
Se um parlamentar for convidado e aceitar um cargo executivo, deve renunciar ao mandato, e gostaríamos que desaparecesse para sempre a figura execrável do suplente de senador. Além do mais, rejeitamos que as campanhas eleitorais sejam pagas com o dinheiro do contribuinte, entre outras restrições.
Será que os atuais detentores de mandatos aceitam isto? 

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